Guajaraúna,
Em um sábado de maio do ano passado o Augusto me convidou para ir fotografar nesse vilarejo e eu, a minha 300D recentemente comprada, não pensei duas vezes e aceitei. Seguimos então rumo a Guajaraúna, saindo às 3 da tarde de Belém e as quatro já estávamos quase lá. Na chegada, descemos do ônibus e andamos cerca de 1,5km por uma estrada de terra até chegar ao vilarejo de poucos habitantes, ficamos hospedados na cabana ao lado da casa do caseiro que toma conta do terreno que família do Augusto tem por lá. Papo vai papo vem, já quase à noite resolvemos ir dar uma volta de canoa, mas pegamos a canoa errada, furada, e no meio do caminho da volta ela inundou, e afundamos com carteira, pen drive, e todo o resto.
Já era noite, escuro, canoa furada… E como é que volta? Tenho memória muito boa para lembrar datas, pessoas e caminhos, e foi o que salvou. Quando retornamos a casa, todos molhados, coloquei as coisas perto da lâmpada pra secar e como lá não tem energia elétrica, a lâmpada funciona com bateria de carro. Tomei um banho e logo depois fizemos um lanche para em seguida ficar jogando conversa fora, que foi quando fiz uma foto. Logo depois fomos a outro lugar que fica há mais ou menos 15min de canoa, estava rolando um bingo com os seguintes prêmios: grades de cervejas, galinhas, e outra coisa que não lembro agora. Logo depois do bingo é servido um mingau de arroz, muito bom por sinal…
Ainda não era nem 22h quando resolvemos ir a um barzinho que fica na beira da estrada jogar bilhar. Depois de umas cinco fichas e o Augusto sem me ganhar nenhuma partida, o jogo perdeu a graça e pegamos a canoa de volta. Lá na cabana atamos nossas redes em um barracão que fica fora da casa, o nosso “quarto sem parede”, e dormimos no meio do nada na Amazônia, à noite o frio é intenso, ainda mais para nós que dormíamos perto de um igarapé.
Em interior é incrível como não consigo acordar tarde, 6h já estava de pé, só fui dentro da casa pegar minha câmera e observei o lugar por um tempo, começando os primeiros clicks do dia. Uma hora depois fomos tomar aqueeeele café, que a gente só encontra pelo interior, tem algo que não sei explicar, talvez o modo de preparação ou outra coisa o torne tão diferente, porque aqui em casa não fica igual…
Após o café reforçado começamos a andar e conhecer os vizinhos, bastante receptivos. Muitos ficaram intrigados com a câmera, devia ser a primeira vez que tinham visto e para eles era algo extraordinário.
Depois voltamos para a cabana e ficamos batendo um papo, perguntando sobre o dia a dia deles. O menino Gabriel pegou a bicicleta e foi comprar umas coisas a pedido da mãe.
Mas logo voltou e com o calor, foi tomar aquele banho refrescante…
Na hora do almoço fizemos um churrasco, comemos bastante, estava muito bom e depois bateu a vontade de beber algo gelado e dei a idéia de irmos comprar algo, pegamos a canoa e fomos atrás de refrigerante, 15min para ir, 10 para voltar, e depois de 25minutos estávamos lá, todos bebendo o sagrado refrigerante.
À tarde a maioria foi em uma festa em uma comunidade próxima, enquanto eu fiquei dormindo por lá depois do almoço. No fim da tarde já conversando na sala novamente, agradeci ao Santana por ter nos recebido tão bem por lá.
Até a próxima, Guajaraúna, valeu demais!
Fotos e Texto: Luiz Marques









